Quando o governador Blairo Maggi e o secretário de Desenvolvimento do Turismo e presidente do Comitê Pró-Copa, Yuri Bastos Jorge, fizeram as primeiras convocações para que a população cuiabana e mato-grossense fosse para as ruas se manifestar a favor da vinda da copa do mundo para Cuiabá, talvez não imaginassem que tanta gente fosse tomar o pedido ao pé da letra. Dezenas de milhares de pessoas atenderam à convocação, especialmente no dia da chegada da missão da FIFA e CBF a Cuiabá, na última terça-feira (03.02), e foram ao aeroporto Marechal Rondon ou se posicionaram ao longo das avenidas da FEB e Miguel sutil para saudar a delegação.
No meio da multidão, se destacava o 3º Sargento PM da Reserva Walter Dias dos Santos, que coletou assinaturas nas ruas e praças de Cuiabá por uma semana com a meta de sensibilizar as pessoas que vão decidir as cidades-sede da copa.
“Quando o governador e o secretário Yuri foram para a televisão chamar a sociedade para participar, eu pensei na hora, estão falando comigo, e fui pra rua no dia seguinte”, revela o ‘Sargento Dias’, seu nome de guerra na Polícia Militar.
Walter entregou o abaixo-assinado com mais de três mil assinaturas – coletadas em mais de 20 horas de trabalho nas ruas - ao governador Blairo Maggi no final da recepção oferecida pelo Comitê Pró-Copa à missão da FIFA/CBF na terça à noite, no Centro de Eventos do Pantanal. “Fiquei muito emocionado. Nunca esperava que um gesto simples pudesse me fazer ser recebido pelo governador”, lembra ele, otimista. “O governador me falou para ficar tranqüilo, porque a copa virá para Cuiabá. Estou muito contente de ter podido ajudar”, frisa.
“Essas iniciativas são fundamentais, e vão ajudar muito Mato Grosso a conquistar a copa de 2014”, disse Blairo Maggi ao entusiasmado Walter Dias. “Gestos como o do seu Walter nos mostra que a população de Cuiabá, e os mato-grossenses de um modo geral, entenderam o apelo que fizemos e, acima de tudo, a importância da copa do mundo para mudar a vida de todos nós. A vinda da copa para Cuiabá será um marco histórico e representará um dos maiores projetos sócio-econômicos da história do nosso estado”, acrescenta Yuri Bastos Jorge.
ACASO
Walter Dias dos Santos, 52 anos, se tornou cuiabano por acaso. Nasceu em Santa Cruz Monte Castelo, no Paraná, mas acabou servindo ao exército em Novo Mundo, Mato Grosso do Sul. Como tinha parentes em Rondônia, ao finalizar o serviço militar decidiu se mudar para aquele estado. “Vim para Cuiabá, e aqui fui informado que o asfalto só ia até Cáceres, que a estrada era muito ruim e a viagem muito longa. Acabei desistindo de ir e resolvi ficar por aqui mesmo”, conta.
Desempregado, Walter viveu o primeiro ano em Cuiabá vendendo bilhetes de loteria do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, que tinha apelido de ‘Chicote da Fronteira’, e que chegou a conquistar quatro títulos estaduais antes da divisão do Estado, em 1977.
“Eu saía vendendo os carnês do ‘Chicotão de Ouro’, que eram iguais ao carnê do Baú, do Silvio Santos. Dava para sobreviver, e ainda ganhei o apelido de ‘Chicotão’ e também virei operariano”, lembra Walter.
Cerca de um ano depois, como a venda dos carnês não era suficiente para prover seu sustento, acabou ingressando na Polícia Militar, por sugestão de um amigo policial. Isso ocorreu em 1978, e na época não havia a exigência de concurso público para ingresso nas carreiras públicas, civis ou militares.
“Fiz curso de soldado, de cabo e de sargento, e fiquei na polícia até me aposentar”, conta ele, que é pai de três filhos cuiabanos.
Atualmente, Walter trabalha como segurança da Guarda Patrimonial, implantada pelo Governo do Estado em junho de 2008. A guarnição é composta por 178 policiais militares da reserva, que foram capacitados para substituir os policiais da ativa na segurança dos órgãos públicos.
PATRIOTISMO
Enquanto coletava as assinaturas pelas ruas e praças de Cuiabá, Walter sempre trajava uma camiseta da seleção brasileira de futebol, e portava bandeiras do Brasil. Na recepção à delegação da FIFA/CBF, no Centro de Eventos de Pantanal, levou também uma bandeira de Cuiabá e outra da Suíça. “Soube que os representantes da FIFA eram suíços, então quis chamar a atenção deles. E acabou dando certo, porque um deles cochichou com o outro e apontou para mim quando me viu com a bandeira”.
O Sargento Dias sempre foi um apaixonado pela seleção brasileira. Conta que durante as copas do mundo, sempre pinta a rua da sua casa, faz bandeirolas e se paramenta. E acredita que a seleção é o melhor símbolo patriótico do brasileiro. “O brasileiro tem mais patriotismo quando a seleção brasileira joga do que no dia 7 de Setembro (Dia da Independência)”, analisa ele.
Quando o Brasil conquistou o pentacampeonato mundial da FIFA, em 2002, a imagem do capitão Cafu erguendo a taça Jules Rimet debaixo de uma chuva de papel picado, e homenageando a Vila Irene, seu bairro em São Paulo, marcou Walter Dias Pereira. Tanto que ele esculpiu em madeira uma réplica da taça, e a levou todos os dias na busca de assinaturas em prol da Copa em Cuiabá. “Sou um apaixonado pela seleção brasileira”, acrescenta, o personagem que pode virar um símbolo da Copa Mundo para os cuiabanos, caso Cuiabá seja confirmada como uma das subsedes da Copa de 2014